quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Balanço de fim de ano 2

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Ah, parece que foi ontem que escrevia retrospectiva do ano passado. Ficou bem divertida até, então vou tentar fazer de novo.

2010 começou bem legal.Repeti a dose do cruzeiro open bar, dessa vez indo rumo à Argentina e com 18 anos. Apesar de tudo, nem foi tão divertido quanto poderia ser e eu quase caí no mar de tão bêbado que fiquei em um dos dias. Quase se livraram de mim, mas eu sou terrível. Dessa vez também as pessoas que conheci ficaram no mar mesmo.

Aí voltei pra UFES. Terceiro período, já veterano. Arrumei um emprego mais ou menos que me deu um dinheirinho que eu bem curti. Descobri, nesse emprego, que a gente eventualmente vai trabalhar para idiotas. E com idiotas também. Suei e demorei para tirar minha carteira de motorista, mas agora consegui e já posso dirigir o Zubatmóvel ouvindo umas músicas bem boas.

O blog da Vamos foi deletado. Foi uma tristeza para nós que dedicamos tanto tempo a ele. Foi lá que conheci uma pá de bandas (e mostrei algumas outras pros outros também). Ainda falando de blogs, esse ficou meio encostado em 2010 porque, afinal, a UFES também começou a ficar ciumenta.

De volta à UFES, cheguei ao cúmulo de passar um final de semana inteiro por lá. Ainda bem que deu certo no final. No clima de Platoon, esse ano foi academicamente tenso, mas felizmente não reprovei em nada e continuo firme e forte.

Troquei de emprego. Meu antigo chefe ficou puto, mas eu agora tenho salário, condições e tarefas mais agradáveis. Apesar de ter que sair na chuva para resolver problemas em estações pluviométricas e ter trabalho período integral nas férias, eu estou muito feliz por aqui. Meu chefe agora ouve rock e de vez em quando a gente bota uns discos pra tocar aqui quando o Chefão não está.

Roubaram o som do Zubatmóvel e fiquei uns 3 meses dirigindo no silêncio. Sad but true. Virei ateu de vez e li Sagan, Russell, Gleiser e Dawkins. O próximo da fila é o Sam Harris. Nasceu o Ravi, filho da Rafa e está muito bem :D

A banda perdeu o baterista. Acabamos encontrando outro e felizmente conseguimos manter um ritmo de ensaios legal (que foi interrompido em novembro e dezembro por causa da UFES, aquela ciumenta). Depois perdemos o baixista, mas felizmente logo encontramos outro. Procurando vocalista, conheci a Dani e o resto é história (:

Fiquei mais ativo no twitter (ui!), o que também é um dos motivos de eu ter largado um pouco o blog (@andresiviero, by the way, e eu só falo bobagem). O blog da Vamos foi recriado (hoje coloco o link aqui), mas ainda estamos um pouco aos tropeços. Comprei um som novo com entrada USB e fiz minha fezinha na mega-sena da virada.

É, 2010 também foi um ano muito bom. 2011 que me aguarde agora!

domingo, 19 de dezembro de 2010

È finito!

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Finalmente! Depois de uma longa luta (já parcialmente relatada no último post), chegamos ao final de mais um período de muita luta na UFES. E saboreando essa delícia de cerveja irlandesa chamada Guinness, eu escrevo mais um post de final de período, relatando toda a angústia e apreensão de um jovem estudante de engenharia que, todo mês de dezembro, encontra-se na encruzilhada da sua vida: fazer o certo e morrer de estudar e overdose de cafeína ou chutar tudo pro alto.

A merecida recompensa!

E eu, de faca nos dentes com as 3 matérias que me restavam (como abordado no último post), escolhi a primeira opção. Se a UFES achava mesmo que eu ia abrir mão de passar em tudo, ela estava redondamente enganada.


Eletromagnetismo foi o primeiro desafio. Um 7,5 na primeira prova me garantia relativa tranquilidade, mas nem por isso deixei de perder boas noites de sono estudando. Também desnecessário dizer que os ensaios da banda (Red Button, baseada em um filme soft porn do já extinto cine privê) foram suspensos. A prova de Eletromag foi a primeira das 3, que seriam realizadas em dias seguidos e as previsões se confirmaram: um 8 fez com que passasse direto e com boa média ainda. Faltavam as duas últimas, e também mais perigosas: Sinais e Sistemas e Linguagens de Programação.

Antes de mais nada, um panorama introdutório de como eu estava. A primeira prova de Sinais e Sistemas havia sido um desastre e eu tinha tirado um mísero 0,5 (também por ter privilegiado as outras matérias, mas não me isentando de culpa por esse resultado medíocre) e, em LP, o professor, num gesto de absoluta benevolência com os alunos instituiu o seguinte critério na P1 (objetiva): uma questão errada anula DUAS corretas. O resultado disso foram 37 zeros (o meu incluído).

Quem lembra o nome do filme vai entender
Mas nem tudo estava perdido. O professor de Sinais costumeiramente faz de sua Prova Final uma substitutiva e o de LP faria o mesmo (aparentemente percebendo a cagada que fez). Bastava eu fazer minha parte agora que podia me concentrar exclusivamente nessas duas. E eu já falei que estava de faca nos dentes, né?

Veio a prova de Sinais e saí dela confiante. No entanto, quando saiu o resultado, um desolador 3,5 estava ao lado do meu nome. "Fudeu", foi o que pensei. Eis que fui com o professor ver minha prova e ele viu que eu tinha errado besteira (numa questão que valia 3,5) e me falou "me traz essa questão correta até o fim do dia". SAID AND DONE! No mesmo dia lá estava eu na sala dele com a questão toda certinha e minha nota subiu para um espantoso 7!



No dia seguinte, a prova de LP. Não tão confiante com aquelas traiçoeiras questões objetivas, não consegui nada além de 5. Como esperado, eu ia para as provas finais. Felizmente, consegui diminuir o tanto que precisava. Meanwhile, havia a apresentação do seminário de LP (que poderia diminuir de nota, aumentando o tanto que precisaria na final), com grupos sendo sorteados. A linguagem do meu grupo (que também contava com mais 2) foi adiado até a segunda-feira, dia 12, a última aula antes da PF de LP.

E, dia 12, como soldados marchando rumo ao front, lá estávamos nós disputando a adedonha que definiria quem apresentaria e sofreria a sabatina de Varejão. 14 foi o número e vocês não tem idéia do alívio quando o 13 bateu em mim! Nossa nota não diminuiria e eu precisaria de 4 na final.

Challenge accepted
E chegou o dia 15. Prova final de Sinais e Sistemas. E não estava fácil. Apesar de 2,5 garantidos por uma questão que estava na lista de exercícios e eu já sabia como fazer, o resto foi garimpando pontos. Resolvi outra questão satisfatoriamente, o que me deixava satisfeito, embora não completamente tranquilo. O resultado era esperado para o dia seguinte (da prova de LP). Se seria um motivador ou um abatedor, ainda era um mistério...


Então, no dia da prova de LP, depois de muito estudar, eu fui ver a nota de sinais. E sabem o que me aguardava? UM SONORO 6. FUCK YEA. TINHA PASSADO. Agora restava a última batalha: A Varejada Final!

[Vou colocar uma ibagem aqui futuramente]

Só tenho uma coisa a dizer sobre essa prova: TÁ FACIO PA NINGUEM! O resultado, dizia ele, na sexta ou, "no mais tardar", na segunda. A sexta passou com todos ansiosos. Nada. O sábado não nos deu melhor perspectiva. Eis que veio o domingo...

Cada mensagem na lista de e-mails com assunto "Linguagens de Programação" era um ai jesus. Todos já ansiosos, atualizando com frequencia assombrosa a página do professor (se eles botassem umas propagandas lá iam faturar uma grana no final do período) quando, na noite de domingo, ele resolveu acabar (ou não) com a angústia de todos:

André Luiz 5,0

Como diria Isaac Newton: AÍ SIM HEIN!

Finalmente eu podia beber minha última Guinness (havia comprado 4, deixando a última para comemorar ou chorar essa matéria) tranquilo e sabendo que, mais uma vez, venci a batalha contra a UFES. Mas a guerra continua e, novamente, meu período pode ser resumido na seguinte imagem:


Acabou, c'ést fini, è finito! Menos um na luta por um diploma com selo do CREA. E agora com tempo pra botar as leituras em dia. De Gleiser a von Mises passando por Sam Harris, nessas férias vou tratar de ler todo mundo de novo, e o site da Amazon já me ajudou na lista:


Devem chegar no final de janeiro essas lindezas, e aí Zubat terá longas noites :D. E obrigado à linda da Dani por ter me dado o livro do Gleiser. SUA LINDA.

É, acho que chega, tá longo demais já. Férias, suas lindas, vocês vêm sempre aqui?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sai de baixo!

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É, amigos, a vida não tá fácil pra ninguém. Essa semana tenho dormido 3 ou 4 horas por dia apenas e num nível de stress que beira o alarmante. Dei jeito nas costas (velho) e, pra melhorar, os ônibus entraram em grave, o que bagunçou o trânsito e o calendário. No pior momento possível, o final do período!

A propósito, vamos ao panorama geral. Na semana do dia em que estou escrevendo, esse post, eu teria 4 provas em 4 dias mais um trabalho pra entregar (hoje). Como dito ali em cima, foi deflagrada uma greve de motoristas de ônibus responsável por aulas canceladas e as provas que seriam ontem e hoje também sendo adiadas para a semana que vem. No entanto, uma coisa era independente dos ônibus: o trabalho de Estruturas de Dados II.

Pense nos processos como navios que você entende mais fácil
 Basicamente, o desafio é o seguinte: Você tem n processos, cada um com tempo de execução, tempo limite pra ser executado e uma multa caso o tempo limite não seja respeitado. Qual a melhor sequência para cumprí-los? Esse problema é o chamado Escalonador de Processos, um dos grandes problemas combinatórios da computaria.

E, como se não bastasse ser difícil, precisaríamos de duas soluções diferentes. Pulando todo o lenga-lenga, eu terminei a minha parte no dia 26 e entreguei pra minha dupla terminar, na ingênua esperança de que eu tinha me livrado de uma matéria e poderia me concentrar "só" nas 4 provas.

Eis que no dia 30, véspera da data de entrega, às 22:30, minha dupla me avisa: "Não vai dar tempo de fazer minha parte."


É, amigos, como diria o Jesus Manero: "tá facio pa ninguem!". E seguindo o conselho da imagem, eu corri. Abri na mesma hora os códigos pra tentar completar o trabalho, né? Com 0 que não dá pra ficar.

Então, como deus é um cara muito sarcástico, ele fez um favor pra mim: Explodiu o transformador do poste que fornece energia pro meu prédio! :D


Daí a energia começou a oscilar aqui em casa, o que era justamente o que eu precisava, né. Não contente, ele ainda resolveu melhorar. A luz do quarto ficava indo e voltando (e, com isso, a internet). Aí reduzia, aumentava, caía de vez, voltava...

Apenas um lugar resistia bravamente às oscilações de tensão da rede: a cozinha.

Não é um ótimo lugar pra estudar?
Sem internet, danei a fazer a gigantesca lista de cálculo (fiz a prova hoje, devo ter passado, o que me desvincula do DMAT, amém), na esperança de que minha dupla estivesse fazendo algum progresso. Então, num surto de energia, a internet voltou, só para eu descobrir que ele tinha desistido de fazer essa parte.

Nessa hora, eu já estava me perguntando o que mais poderia dar errado, né...

Então comecei o trabalho em ritmo de festa. Com muitas gambiarras e muito nas coxas, consegui "terminá-lo" e enviar no dia seguinte junto com a documentação. Aparentemente menos uma matéria.

Agora só faltam 3: Linguagens de Programação, Sinais e Sistemas e Eletromagnetismo I. E só posso dizer uma coisa: TÁ FACIO PA NINGUEM!

Esse final de semana estarei na UFES pra estudar pras provas mencionadas. Liguem-me :D

E um agradecimento especial praquela LINDA da Dani que consegue me aturar quase todo dia e ainda atrai olhares curiosos na farmácia :D

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Postagem #69 - Miscelânea

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"69 nunca será apenas um número" - @PeterGriffinn

Pensaram que eu tinha morrido, né? Pois então, felizmente (ou não) ainda estou aqui, mesmo depois de tanto tempo sem postar. Exatamente um mês para falar a verdade. Mas depois de ter o blog citado na "Ateísmo Brasil", acho que vou tentar reanimar isso aqui.

Pois bem, nesse mês que se passou, meu período começou a apertar. Neste período, não tenho nenhuma matéria mamata: Eletromagnetismo I, Cálculo III, Estruturas de Dados II, Linguagens de Programação e Sinais e Sistemas. Se você está reclamando do seu 3º ano, pare agora. Não quero nem ver nos próximos períodos, que fica pior ainda com os professores loucos dos Departamentos de Elétrica e Computação.

Coordenador do curso de EngComp da UFES.
Outra coisa interessante que pode ser relatada aqui foi a viagem para uma cidade encravada no meio do deserto, juntando coisas de diversos lugares, ao melhor estilo Frankenstein, feita exclusivamente para apostadores do país inteiro gastarem torrões e depois se divertirem com as senhoritas que dançam em cima das mesas. Sim, meus amigos, estou falando de Las Vegas.

Las Vegas Strip (ui)
E entre muitas coisas que me impressionaram, como panfletagem de putas na rua em plena luz do dia, stormtroopers no meio da rua, pirâmides, Torre Eiffel e Coliseu, Las Vegas foi sinônimo de shows incríveis, até porque eu não tenho 21 anos e, consequentemente, não poderia nem jogar nem beber. Fato que o "Love" do Cirque du Soleil me impressionou muito e eu devo ter irritado o cara do meu lado porque eu cantava todas as músicas, mas definitivamente o show mais impressionante foi o do Blue Man Group.



Um show indescritível. Um dos críticos que deixou sua opinião resumiu, em poucas palavras, o sentimento de qualquer um que estava presente num dos shows deles: "uma experiência absolutamente extasiante!". Um outro foi mais longe: "se uma imagem vale por 1,000 palavras, então todos os idiomas do mundo não somam palavras para descrever o que é o show do Blue Man Group."

Tudo que eu posso fazer é endorsar a opinião dos dois. Através de tinta, luzes e artifícios para enganar nosso cérebro, além de uma interação ímpar com a platéia, os Blue Man mantém o público hipnotizado durante todo o espetáculo. Verdadeiros mestres em percursão e seções rítmicas, eles fazem de canos instrumentos musicais e extraem melodias impressionantes. Usam estátuas e luz estroboscópica para simular animação e, principalmente, fazem do show um espetáculo inesquecível. Se você algum dia estiver na mesma cidade que eles, é um show que você simplesmente não pode perder.


Foi quando, de volta ao Brasil, fiquei sabendo da candidatura de Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca. Seriously, SP! Eu, na minha inocência, achei que ele seria um candidato que não ia feder nem cheirar na eleição, mas não...

Tiririca, zombando do nosso sistema político ao declarar que não sabe o que faz um deputado federal e dizer que "concreto pra mim é cimento" quando perguntado se tinha alguma proposta concreta, foi o deputado mais votado do país, com impressionantes 1,300,000 votos (mais do que todos os presidenciáveis que ficaram abaixo da Marina juntos).



A fórmula é antiquíssima: Fazer um candidato ser eleito com muitos votos, subir o coeficiente do partido e, com isso, eleger um monte de safados junto. E advinha só! Deu certo de novo! É como dizem por aí: crente vota em crente, ateu vota em ateu, ladrão vota em ladrão e palhaço vota em palhaço! O problema é que quem ri por último, nesse caso, não somos nós!

Ainda em clima de eleição, ontem tivemos o debate da Band. Ou deveria eu dizer o papo de lavadeira da Band? Porque é isso que define bem o debate, um falando mal da mãe do outro, no maior clima de baixaria e propostas que é bom, nada. Só "tacação de pedra". É nessas horas que eu perco a esperança nesse país.

Mas de volta às coisas boas, minha banda finalmente ensaiou! E dessa vez com um baterista visível! Sem a aventura que foi o último ensaio, relatado aqui no blog décadas atrás, mas contando incrivelmente com Zubat cantando. Ainda bem que o mundo nunca vai ouvir os registros dessa coisa horrível. Querem ficar ainda mais surpresos? Cantei Offspring e Ramones.

Parem de tentar me imaginar gritando, obrigado.

Update: A banda não tem nome, sugestões serão bem-vindas nos comentários.

Enfim, é isso aí. Vou tentar voltar a postar aqui com mais frequencia. Só peço uma coisa de você, querido leitor: comente. Comentários são o combustível de qualquer blog. Só por meio deles eu vou saber que não estou escrevendo para fantasmas :D.

Bonus Round: Blue Man Group tocando Baba o'Riley, do The Who:


Confesso que me apaixonei pela moça que tá cantando. Violino, The Who, cabelo preto e olhos verdes? Como eu poderia resistir?

sábado, 11 de setembro de 2010

Now imagine, for once...

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Os "Troubles" na Irlanda, conquistadores, cruzadas, castas e segregação na Índia, destruição dos Budas de Bamyan, Guerra dos 30 Anos, 11/09, atentados no metrô de Londres, Inquisição, Era das Trevas, caça às bruxas, homens-bomba, guerra entre Israel e os árabes, meninas que têm seus clitóris arrancados, massacres na Nigéria, massacre do Movimento de Restauração dos 10 Mandamentos de Deus na Uganda, suicídio em massa na seita Heaven's Gate ou Jonestown, pregadores que se aproveitam da inocência para ganhar dinheiro, invasão de Afeganistão e Iraque, padres pedófilos que não são punidos, seitas que recebem permissão para usar drogas, tentativa de se ensinar criacionismo em escolas, setores da sociedade isentos de impostos, guerra no Sri Lanka, perseguição aos chargistas dinamarqueses, mulheres que precisam se cobrir para sair à rua ou precisam estar acompanhadas de um parente do sexo masculino, símbolos religiosos em órgãos públicos, pessoas usando um instrumento antigo de tortura como adorno, condenação de métodos contraceptivos e homossexualidade, assassinato de médicos que fazem abortos em condições seguras, sentimento de culpa e medo exagerados em boa parte da população, proibição de pesquisas que poderiam salvar ou prolongar vidas, ataques ao conhecimento em nome de uma fé cega.

Imagine, só por um instante, se nada disso tivesse acontecido. Imagine um mundo sem religião.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LSD antes de dormir.

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Os sonhos sempre foram motivo de questionamento. Mas mimimi, eu podia muito bem ficar aqui horas discorrendo e citando filósofos, mas aí perderia toda a graça. A proposta do post de hoje é fazer algo diferente. E conto com a ajuda de você, leitor desse blog para complementar o post.


Inspirado num sonho absolutamente bizarro que eu tive (relatado a seguir), esse post fala sobre eles: sonhos que não fizeram nenhum sentido. Todo mundo já sonhou que estava pelado na escola, ou talvez algo mais psicodélico como elefantes cor-de-rosa voadores. Agora estamos aqui para expô-los!

Pois então, nada como começar com a prata da casa, não é mesmo, vamos a dois dos meus:

1. Depois de ler muito Ulisses, do James Joyce, acabei tendo um sonho similiar ao enredo do livro. Pra quem não conhece, Ulisses conta a história de Leopold Bloom, um dubliner que sabia que sua mulher o trairia num determinado horário do dia, mas resolve não agir no sentido de impedir. Pois bem, nesse sonho, essa era minha situação: sabia que minha mulher (namorada, enfim) ia me trair e eis que, quando eu chego lá para desmascará-la...



Virou tudo uma festa de bikini na piscina cheia de álcool! Sim, não fez nenhum sentido e minha cara de WTF foi absurda. Vamos ao segundo:

2. O mais bizarro dos recentes, que não faz nenhum sentido MESMO. Pra começar, eu estava com minha família em NY. E eu estava numa espécie de parque por lá, então nós resolvemos tomar o metrô, que por algum motivo misterioso era de graça e nós entrávamos nele por uma janelinha de 30x30, mais ou menos. Pra ajudar, o "metrô" era como uma montanha-russa (inclusive com as barras de proteção)!

Aparentemente é assim que eu imagino o metrô novaiorquino

Anyway, de repente tínhamos voltado ao hotel e, quando me dei conta, estava de volta ao Brasil, numa praia, pensando que com a diferença de fuso e a velocidade do avião, eu conseguiria estar de volta a NY antes dos meus pais acordarem. RIGHT!

Então o que você faz quando percebe, na praia, que seu plano simplesmente não vai dar certo? Corre de volta pro hotel pra pegar as malas e partir pro aeroporto, certo? Foi o que eu fiz no sonho, mas ao chegar no corredor, reparei que tava rolando uma tremenda festança, então desci um andar e, quando entrei no quarto, tinha uma moça (que eu só vi uma vez na vida) de lingerie, a quem eu chamei de mãe e proferiu a seguinte frase:

"A última coisa que eu esperava que você fizesse era deixar o Peter Griffin triste num rodeio."

"Whatahell?"  
As contribuições de leitores são as que vêm a seguir:

Fio terra não!
B.: Sonhei que era líder de um exército uno e estava chorando porque o silvio santos não aceitava eles no circo de soleil. Sem contar que do nada minha vó paterna apareceu, comecei a xingar ela e o silvio: "mas para com isso, menina! Vem pra cá, para com isso, sua piranha!"

L.: Eu tava andando na minha bicicleta que tinha a roda da frente com um raio enorme (não sei se tem um nome específico) numa rodovia. De repente, eu passei por cima de uma pedra, perdi o equilíbrio e caí. Rolei por umas escadarias que tinham no acostamento da estrada e caí dentro de uma daquelas caixas enormes que as pessoas colocam as sacolas de lixo (aqui não tem muito isso, mas em tudo quanto é beco de filme hollywoodiano tem ne). Aí eu desmaiei. Nisso o Freddy Krueger saiu de um canto escuro, abriu minha barriga com aquelas garras dele e comeu todos os meus órgãos internos. Enquanto isso acontecia, eu até acordei, mas achei que se tentasse desmaiar de novo não ia sentir dor, então fechei os olhos e desmaiei. Quando ele terminou seu almoço, saiu de perto de mim. Eu levantei com o corte na barriga, curiosamente, fechado, e saí andando, como se nada tivesse acontecido. This is the end :D

E pra fechar, o recém-coletado sonho da T.:
"Teve um dia que eu sonhei que fui na casa do meu amigo, e ele tava deitado num berço ­dormindo, ­aí, de repente chegou a 'babá' dele ­dizendo que a vizinha tava devendo 8000 reais pra ela... ­aí eu disse pra ela recorrer à justiça ­aí meu amigo, saiu correndo. Eu fui atrás dele ­e parei no pátio da escola, ­aí eu andando, vi uma pá de gente que eu conhecia ­da minha classe e tal, ­aí eu falei ­'tchau galera, tenho que ir', ­tirei um chupa chups do bolso (aquele pirulito maroto), ­chupei, apontei pra cima [ui!] ­e saí voando. ­Depois de voar até em casa, ­eu caminho até a garagem e tinha lá catálogos de venda de tvs LCD."

E você, lembra de algum sonho bizarro? Ajude com o post e let us know!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Quotes memoráveis do dia-a-dia

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Como o último post foi serious business, aparentemente não agradou tanto comparando com outros, então vou tentar voltar ao cotidiano que sempre me gerou lulz. Ainda bem que hoje foi um dia bem propício para
isso, o que contrariou a expectativa inicial.

Afinal, acordei com um puta torcicolo, peguei um trânsito nada tranquilo na ponte e, de quebra, o estacionamento que eu costumo usar na UFES tava fechado. Não fosse o bastante, era uma segunda-feira!

Animação matinal sempre presente
No entanto, no meu trabalho existe uma coisa que me deixa muito feliz. Quer dizer, várias. Livrar-se dos alunos da Eng. de Produção é legal, e agora eu trabalho em desenvolvimento web (o que aumentou meu vício em automação de processos), o que é ainda mais legal, mas nenhuma dessas coisas se compara ao café de graça que meu trabalho oferece.

Você pode dormir quando estiver morto!

Café de graça, cara! O que mais é realização profissional senão café de graça o tempo todo? É quase como uma pílula de ânimo! Uma injeção de vontade naquele seu dia monótono no trabalho! E freqüentemente, café foi responsável pelas idéias que eu tive no lab para alimentar meu vício em automação de processos (porque fazer tudo com um único clique é ótimo, mas com comandos é ainda mais viciante!).

Mas de volta ao título do post. Estava eu na minha leseira matinal quando a J. me avisa para ler o scrap que tinham deixado pra ela. Eu, curioso que sou, e disposto a matar alguns minutinhos, fui lá conferir do que se tratava. Eis o que encontrei:


Cuidando, hein? Isso porque no dia anterior ela tinha me dito que tinha perdido a dignidade nessa festa. No entanto, ela me garantia que não tinha acontecido nada, afinal se tivesse acontecido, "estaria doendo". Mas ela não contava com a astúcia do sr. Orkut, que me revelou todo o segredo. Demonstrando como manja das putaria, eis a revelação:

Windows porque é no pc do trabalho.

Aaaaaaaah! É o orkut nos revelando aquilo que os outros escondem, não é mesmo? E esse é o tipo de coisa em que o orkut é bom: nos mostrar a verdade sobre as pessoas, Tá certo que de certo modo é até inusitado, né? Mas esse print me mostra que a verdade tarda, mas não falha!

A segunda quote memorável do dia vem direto do Rio Grande do Sul, tchê. Como eu não fuço homens que vêm visitar o meu perfil do orkut de volta, acabei perguntando a algumas recém-adicionadas sobre o "intruso" que se apresentava entre os meus visitantes recentes. Acabei descobrindo que era namorado da L., quando fui confirmar com ela:

"André diz:
o T. é seu namorado, não é?
L. diz:
ooooi, acho que sim [risada estranha]"


Wait, wat. Acho que sim? Isso foi digno de um lolzzy hahaha. Logo depois disso elas foram ver filme e eu fui mexer no site que to desenvolvendo com o Drupal (não é "do pau", nem "grupal"!) e acabei me sentindo o super hacker mexendo em códigos-fonte de terceiros, alterando-os e o melhor: vendo tudo dar certo! Voltei pra casa ouvindo Flogging Molly e fui surpreendido no msn com a A. me perguntando:

"A. says:
 ­vc não visita com frequencia o redtube?"


E tudo fica ainda melhor com a coroação:

­Andre says:
 ­deveria?
­A. says:
 ­não sei, tem menino q gosta
­A. says:
 ­tem outros q preferem o chatroulette q é mais real e panz

Waaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaat.

Seriously guys, tenho cara de quê? D:

Anyway, foi um dia divertido, pra quem começou como aquela coruja ali. Normality é pros fracos!

Update: Esqueci de mencionar a minha irmã indo no meu orkut e deixando o scrap:
Não é uma gracinha, gente? Confesso que o motivo que me levou a bloqueá-la foi tosco, mas sempre que ela demonstra o quanto isso trolla ela, eu vejo que o motivo já nem mais importa, desde que gere bons lulz :D

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Homeopatia não merece crédito.

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Nem é medicina e muito menos devia ser tratada como tal.

Pra falar verdade, é um exemplo claríssimo de pseudo-ciência e que devia ser combatido, não incentivado. O post de hoje dedica-se a isso. Tornar a verdadeira ciência popular frente a essa vergonha é praticamente um dever de qualquer cidadão. Este post tentará levar você, que é adepto dessa crendice, a rever alguns conceitos sobre o obscuro mundo da super-diluição. O post de hoje é serious business.

Sem efeitos colaterais. Na verdade, sem efeito nenhum.
Acho que já ficou clara o bastante minha posição quanto a homeopatia. Antes de eu começar a falar de por que ela não faz sentido, vamos conhecer os princípis segundo os quais ela se orienta:

1 - Like-cures-like, ou "lei dos similares": De acordo o criador da homeopatia, Samuel Hahnemann, se uma substância X causa os sintomas Y numa pessoa saudável, então uma super-diluição da substância X poderia curar uma pessoa doente com os sintomas Y.

Isso fez sentido pra você? Nem pra mim. É como dizer que cebola super-diluída poderia melhor ardência nos olhos. Mas isso não é nada, as coisas começam a ficar estranhas a partir daqui:

2 - Dinamização: Diluir a substância em álcool ou água destilada, posteriormente chacolhando 10 vezes. Este último, por sua vez, é chamado "sucussion". Também pode ser o caso de triturá-los com açúcar.

Pra mim continua sem fazer sentido algum. O que seria chacoalhar 10 vezes? O que se está quantificando aqui? A quantidade de energia em 10 chacoalhadas "normais" pode ser a mesma alcançada com 8 vigorosas ou 12 lentas, não é mesmo?

Obs.: Como o trabalho de Hahnemann é anterior ao de Avogadro, na concepção de Hahnemann, por mais que se diluísse, sempre haveria um mínimo que fosse de soluto na solução resultante. Após Avogadro, provou-se, sim, que é possível partir de uma diluição e chegar numa substância sem soluto algum. Para combater isso, homeopatas defendem a tese da "memória" da água. De acordo com isso, na diluição, a água conservaria propriedades da substância desejada (e apenas dela, por mais que não faça sentido). Mesmo admitindo todo esse nonsense científico, isso não explica o caso de pílulas sólidas.

E, particularmente, o meu preferido vem a seguir:

3 - "Quanto mais diluída for a substância, mais forte o efeito do remédio".

Wait, wat. Não preciso nem invocar nomes de químicos famosos para vocês verem que isso também não faz o menor sentido. Sendo assim, a homeopatia está apoiada em idéias absurdamente ridículas. Mas quem disse que devemos parar por aqui? Afinal todos merecem uma chance na ciência, não é mesmo?



"Remédios" homeopáticos, como eu disse, consistem em substâncias diluídas MUITAS vezes. Se você, caro leitor desse blog, tem um em mãos, procure em algum lugar dele o nível de diluição. Provavelmente deve ser algo como 30X ou 30C. Não se engane achando que esse X é "vezes". Esse X significa 10^30. No caso do C, 100^30. Ou seja, temos uma única e solitária parte de soluto para 10^30 partes de solvente. 10^30, para os que por ventura não estejam acostumados com a notação, é 1 com TRINTA zeros atrás. Uma unidade perto disso é uma quantidade tão ínfima que frequentemente o "remédio" não contém nada do composto original. NADA. Isso mesmo, você está bebendo água, ou álcool.

"Mas funciona comigo, sempre funcionou!"

Homeopáticos não possuem efeito maior que o de um placebo. A ineficácia da homeopatia em testes duplo-cego já é bem conhecida no meio científico. Os únicos estudos que mostraram alguma vantagem possuíam falhas de metodologia e/ou não puderam ser replicados por pesquisadores independentes, portanto os efeitos da homeopatia nunca foram comprovados. Várias coisas podem explicar o suposto sucesso da homeopatia, como por exemplo:

- seu uso contra doenças auto-imunes (como resfriados, por exemplo)
- uso durante o pico de uma doença cíclica
- muitos dos sintomas tratados são causados por alterações emocionais (o já citado efeito placebo)
- usar outras medidas terapêuticas em paralelo (como praticar exercício físico ou melhorar a alimentação)
- "wishful thinking": a pessoa atribui qualquer melhora momentânea ao medicamento e, no caso de recaída, a culpa nunca é da ineficácia do homeopático

E outra: relatos individuais de cura não podem ser tomados como prova de que algo funciona de fato. Pelo menos não cientificamente.

(Exemplar de um homeopático em sua versão genérica)

Lista Completa de todos os estudos feitos com homeopatia que concluíram alguma coisa de positiva sobre a sua eficiência.

"Mas se não causa efeito colateral [até porque não causa efeito nenhum] e faz bem à pessoa, qual o problema?"

Então não tem problema em se aproveitar da boa-fé dos outros para ganhar dinheiro, né? Na minha modesta opinião, vender um produto que age por um mecanismo diferente do proposto (por mais que atinja o suposto objetivo), é algo antiético, mas pelo visto os adeptos dessa teoria passam por cima desse entrave. Por essa mesma lógica, não vejo motivo para se condenar pastores que vendem terrenos no céu, afinal, isso não deixa de trazer um alívio espiritual e psicológico para a pessoa que os compra, não é mesmo?

Uma sugestão final porque esse post já está se alongando demais: faça você mesmo o seu duplo-cego caseiro (maiores explicações sobre o que é um duplo-cego nos links abaixo) e compare os resultados, mas sejam honestos e sigam os procedimentos, hein.

Enfim, como mostrado acima, Homeopatia não faz o menor sentido. Pelo contrário, normalmente é adotada por pessoas que têm mais dinheiro do que bom senso, ou então com alegações absurdas (como eu já ouvi dizerem que 'você toma o homeopático de 8 em 8 horas antes de viajar e fica protegido de todas as doenças')... Aproveito o final do post para lançar o Zubat Homeopatia e Astrologia SA, serviço pelo qual cobrarei baratíssimo para fazer remédios homeopáticos e horóscopos e usar duas frases que expõem uma visão sobre o assunto:

"A homeopatia têm muitas coisas curiosas. Por exemplo, a glorificação do Dr. Samuel Hahnemann e de seus escritos, que foram feitos há mais de 200 anos atrás. A Medicina evoluiu consideravelmente depois de tanto tempo, e um médico alopata seria crucificado pelos pacientes, pagadores de serviços médicos e o Conselho Regional de Medicina, se voltasse a usar sangrias, sanguessugas, cirurgias sem anestesia e cauterizações com ferro em brasa, como era moda médica na época do Dr. Hahnemann."
- Renato Sabbatini, PhD em Fisiologia

"Se você detém este segredo revolucionário da ciência, por que não prová-lo e ser aclamado como o novo Newton? Claro, nós temos a resposta. Você não pode fazê-lo. Você é um charlatão".
- Richard Dawkins.

Material adicional para leitura:
- Pesquisas médicas e duplo-cego
- Renato Sabbatini sobre homeopatia: Porque a homeopatia funciona, Medicamentos e Pesquisa Científica, A Homeopatia como ciência
- Homeopatia no projeto Ockham
- Rational Wiki
- Wiki (prestar atenção no tanto de estudos que desmentem a homeopatia em "Meta-analysis")
- Fracassa suicídio homeopático em massa na Inglaterra

Boa noite, caros amigos, espero sinceramente que vocês tenham sido tocados pelo seu Carl Sagan interior após ler esse post.

Bonus Round, James Randi, o caçador de charlatões, fala sobre homeopatia:



Menção honrosa do post para a L., que iluminou meu msn com a sabedoria: "Homeopatia funciona, ou. Para pessoas idiotas e tal."

sábado, 17 de julho de 2010

O assustador final de periodo.

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Aviso: Esse post é imenso! (That's what she said)

Exatamente como no período passado, nesse aqui eu também precisei me ausentar um pouco do blog. Mas acho que vai valer a pena. O post a seguir conta a história do final do período. Uma história de troca de emprego, de stress, de professores malucos, de trabalhos dando erros, carteira de trabalho, ministérios em greve, caos, carteira de motorista, zubatmóvel, mistério e magia!

(Tentativa falha de colocar mistério e magia na história)

Enfim, tudo começa quando as P3 se aproximavam. Eu, trabalhando no LabNult como monitor mas já cansado de tudo que aqueles manjadores da Eng. de Produção falavam. Ao mesmo tempo, um tanto quanto fatigado com aquele ritmo todo. As perspectivas não eram nada boas. Minhas notas não eram exatamente as melhores e ao que tudo indicava, esse seria um período levado na barriga, com 5 em tudo.

Mas nem tudo estava tão ruim assim. O zubatmóvel continuava indo pra cima e pra baixo e eu já pegava as manhas de como domá-lo. 2 das 5 materias já estavam aparentemente garantidas. Melhor ainda: havia aparecido uma nova oportunidade de trabalho! Salário maior, chefe diferente (apesar de ainda incógnito) e o melhor: livre dos alunos da Eng. Prod. Inscrevi-me e fiquei aguardando contato, mantendo o trabalho e os estudos em paralelo. Simultaneamente, eu ficava cada vez mais perto de ter total controle sobre o Zubatmóvel. Na semana de prova, um "intensivão" na auto-escola resultou em algumas aulas matadas para poder finalmente passar na maldita prova. E eu fodendo passei!

Dentro de alguns dias, fui chamado para a entrevista. E fui bem até. "Proativo" nas palavras do buddy RC. Saí de lá confiante, mas tentando não me dar como certo no emprego. Anyway, voltei pra minha vidinha de universitário apanhando. No meio-tempo, eu decidi que estava saturado mentalmente e precisava ler algo que não fosse relacionado a integrais e programação para me distrair. O gênio aqui, ao invés de escolher alguma literatura descontraída, resolve escolher logo James Joyce!

Um dos mais difíceis escritores da história da língua inglesa! Que tipo de masoquista sou eu, afinal? Logo o James Joyce... diz muito sobre ele o fato de a Clarice Lispector ser uma admiradora (obrigado, S.)! Enfim, Ulisses é um livro muito bom, mas bastante indigesto, e definitivamente não o que eu precisava nesse final iminente de período.  Além de tudo, tinha a última temporada de Lost, que eu resolvi assistir também.

(e voces achando que o mistério acabava no mister m, hein!)

Enfim, depois de alguns dias, a tão aguardada ligação me avisando pra passar no laboratório no dia seguinte. Após confirmar que eu tinha de fato sido escolhido pro estágio, vinha a parte mais difícil: avisar ao meu chefe que eu ia sair do estágio. Ok, eu nunca tinha feito isso antes, então mandei na lata: "To saindo no final do mês". Aí começou o mimimi...

"WAT? você não pode deixar o emprego assim no meio do projeto! Como vai ficar? vamos perder aquele trabalho? Vai me deixar na mão aqui de ultima hora? mimimimi"

Enfim, saí da sala dizendo que mandaria email pras listas da Eng. Comp. procurando um novo estagiário, de preferência com alguma experiência em banco de dados (que era o projeto que eu tinha começado ali) e eu acabei conseguindo. No entanto, uma coisa ainda cutucava nas entranhas do meu cérebro: "Um dos documentos requeridos no novo emprego é uma carteira de trabalho."

Sim, essa pequena coisinha azul que vai me acompanhar por toda a minha vida agora! Já escrevi no post anterior a odisséia que foi consegui-la, então vou pular essa parte.

Enfim chegou a semana das P3. As assustadoras provas que definem se você pode aproveitar as ferias, tem alguma esperança na prova final ou já pode ir se preparando para rematricular na matéria período que vem. E eu estava com o cu na mão. Das 3 provas que eu ia enfrentar, a perspectiva era pegar final em todas, e não seriam finais fáceis, afinal era Termodinâmica (precisando de 6), Circuitos Elétricos II (precisando de 7) e o tão temido Calculo II (precisando de nada menos que 8.7).

Sexta-feira. Encararia duas: Calculo às 7 da manha e Circuitos logo depois, às 9. No mesmo fatídico dia em que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo (em jogo que eu fui ver no bar depois). Depois de exausto de uma prova de calculo, na qual eu tinha feito pelo menos a obrigação e ter certeza que não precisaria de mais de 5 na final, fui fazer a de circuitos. DON'T PANIC na mente. Mas não deu. Fiz a prova completamente sem confiança. Do tipo que diz "fudeu". Senti como se eu tivesse jogado o 9.5 da P2 no lixo. E isso foi uma merda. Eu tava me sentindo como esse cavalo aí da foto do lado.

Anyway, o jogo me deu um pouco de alegria (que eu tive que disfarçar soberbamente já que estava num bar) e voltei pra casa como motorista da rodada. Enfim veio a prova de termo que me deu uma boa perspectiva sobre passar, mas ainda assim a insegurança batia à porta.

Chegava, enfim, a semana mais tensa, entrega de resultados e provas finais. A famosa reta final. Tensão se acumulando. Eu estudando pras finais na esperança de não precisar de tanto. Então, na bela quarta-feira, fui lá para pegar o resultado de calculo e um aviso no quadro dizia, resumidamente: "As provas serão entregues na sexta e as finais acontecerão na segunda".

Que ótimo! Como a essa altura eu já estava com a carteira de trabalho encaminhada, fui lá falar com meu chefe e ficou decidido que eu começaria a trabalhar na... segunda! Ou seja, férias são pros fracos. Paralelamente, a sexta se tornou um dia ainda mais tenso com o professor de termo dizendo que anunciaria o resultado nela. A quarta-feira parecia perdida quando eu me encontrei com alguns alunos da elétrica e eles me disseram que o professor de Circuitos já tinha colocado as notas no mural. Foi quando eu vi a minha.

FODENDO 6.75 na P3, 7.0 cravado de média final, ou seja: APROVADO! E sem precisar fazer a final. Well, menos uma pra me preocupar. Voltei pra casa muito feliz mas já me preparando pra estudar pras outras duas.

Sexta-feira: O dia da decisão. Fui de manhã e o professor de termo acabou tomando o café da manhã com a gente na cantina. Nesse momento ele falou do acordo que pessoas com média entre 6 e 7 aceitaram ser aprovados com 5. E quando eu vi minha nota, 5.5, o que deixava minha média em 6.75. Holy shit, diminuir isso pra 5 vai ferrar tudo! Fui lá falar com ele e resolvi uma questao da prova na frente dele e ficou tudo acertado em media 7. Voltei pra Vila Velha pra churrascar e tomar Guinness. Acabei tambem dirigindo um carro automatico que fez eu me sentir como num videogame e revelou que eu realmente nao sei estacionar.


Uma a uma, as matérias iam caindo! Agora só faltava o maldito cálculo. Mais tarde naquele dia eu esperava a resposta. Da ufes, alguém me ligou e avisou: "sua média final está 'em análise'".

Wait, wat?

Isso, em análise. O professor arrumou umas maracutaias e daria o resultado no sábado de manhã. Sábado de manhã.

Então eu fui. Até levei minha irmã e as amigas que precisavam ir num projeto da escola por lá. Quando eu cheguei no prédio do DMAT, o professor ainda não tinha chegado. Apenas vi outros alunos na mesma situação que eu, ou seja: tenso!

Acho que essa foi a meia-hora mais longa da minha vida. E quando o professor apareceu com um envelope pardo na mão, pensei "e' agora". Ao primeiro da lista, ele disse: "você vai ter que fazer prova final". Já fui logo me conformando que eu também teria, afinal minha prova nao tinha sido um 8.7. André Siviero... "Dispensado".

Alívio. Felicidade. Fuck yea. Um turbilhão passou pela minha cabeça enquanto eu rumava pelo estacionamento. Tinha, enfim, acabado o período mais tenso até aqui na UFES. O período que me deixou no maior nível de stress. E eu sobrevivi intacto.

E é com enorme prazer que eu volto ao blog, apesar de estar trabalhando em periodo integral (nas férias) pra poder receber pelo mês todo. Feels good, man!

Obrigado a Mecca, John e Igor pela ajuda com os acentos também!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

WTF Day!

13 comentários
É, amiguinhos. Nada como um dia tenso. Apesar de todos os esforços, não há nada a se fazer quando tudo e todos resolvem te trollar. A última terça-feira, 22/06, foi um exemplo desses dias. E ouvindo a voz de deus Lemmy eu venho contar a vocês tal odisséia.

Começando logo o dia com uma belíssima aula de Transferência de Calor, que nos mostrou o quanto vamos ter que suar pra passar nessa porcaria. Logo após a aula, corri no Zubatmóvel de volta pra Vila Velha pra tentar tirar carteira de trabalho. Chegando ao centro, começou a maior quest dos tempos modernos: a busca por uma vaga.

(Cidadão de Vila Velha que também desistiu de procurar vaga)

Tive que parar o carro um tanto quanto longe. Mas, persistente que sou, fui lá de novo (pois já havia ido e me informaram que o sistema estava fora do ar). Novamente, me afirmaram o mesmo, mas sem previsão para o sistema voltar ao ar. Que ótimo, eu teria que ir até Vitória em busca disso. Zubatmóvel entraria em ação novamente.

Depois de muito me informar e olhar no Google Maps onde seria, descobri que o lugar ficava numa avenida realmente apertada e, com isso, obviamente sem vagas. Mãs, como eu tinha que ir pra UFES depois mesmo, lá fui eu já rezando para o deus imaginário me conceder algo do tipo:


Mas, como no ES nem tudo são flores, o óbvio aconteceu: fui parar a quase 1 km de distância do meu objetivo (que eu achei com uma senhora facilidade), usando toda minha cara-de-pau para deixar o carro num posto de gasolina enquanto fazia todo o caminho de volta no sol escaldante capixaba.

Chegando enfim ao "Centro Integrado de Cidadania", fui lá e perguntei da Carteira de Trabalho e a mulher: "Só estamos fazendo de quem mora em Vitória, porque o Ministério do Trabalho está de greve..."

E nessa hora eu penso "MAS QUE IRONIA, HEIN?", me segurando para não proferir as palavras em voz alta. Fiquei tão puto com isso que me deu vontade de xingar muito no twitter. E ela ainda me diz, com uma coolface danada, que no centro de Vitória tem outro posto. Excelente idéia não fosse o fato de ser absolutamente impossível estacionar lá.

Prosseguindo o dia, vim para o meu emprego (que devo deixar dia 30) para ouvir as típicas frases do pessoal da Eng. de Produção. Felizmente, foi a parte tranquila do meu dia, estudando pra prova de termodinâmica e tomando café. Uma vez liberado, fui a outro laboratório prosseguir com meus estudos e ajudar o RC. no traablho de Estruturas de Dados I e, quando este laboratório fechou, fomos até a biblioteca no Zubatmóvel. Ao sair dele, RC disse "vou levar meu notebook pra terminar o trabalho" e deixou mochila e casaco em cima do banco.

Terminados os estudos (embora eles não tivessem sido tão satisfatórios assim), decidimos ir embora da biblioteca. Eis que, chegando ao carro e abrindo a porta do carona, RC exclama: "Cadê minha mochila?!"

Fucking gone! Simplesmente desaparecida. Depois do momento inicial de procurar embaixo do banco, verifiquei outras coisas que estavam no carro, como o dinheiro do moedeiro, o som e os documentos do carro, além dos vidros. Tudo intacto. Não mexeram em mais nada a não ser a mochila e o casaco dele. Como assim? Totalmente não-solucianadas me apareceram 2 perguntas:

1 - Como conseguiram entrar no carro?

2 - Por que levar só uma mochila e um casaco?

Uma possibilidade, pra mim a única que poderia explicar ambas, é:


NINJAS!
Quem mais seria capaz de fazer algo assim com tamanha destreza? Quem mais faria algo assim aparentemente sem motivação alguma e para surrupiar algo sem valor? É por isso que eu digo, tome cuidado, pode haver um ninja à espreita, apenas esperando o momento certo de afanar sua mochila, ou o cadarço do seu tênis ou, quem sabe, até mesmo sua tigela de cereais!

Ficando por aqui com as sinceras condolências ao RC pelos objetos perdidos. Até mais, pessoas.


Obs.: A ironia quanto ao Ministério do Trabalho não quer dizer que eu ache que eles não têm os mesmos direitos trabalhistas e bla bla bla, apenas acho que a greve num órgão com esse nome é algo irônico. Seria até engraçado se eu não estivesse tomando na cabeça no meio tempo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Remember, remember, the 5th of November

2 comentários
The gunpowder treason and plot
I see no reason why the gunpowder treason
Should ever be forgot

O post de hoje é dedicado a V for Vendetta, uma HQ de 10 volumes, de autoria de Alan Moore e desenhada por David Lloyd, publicada durante os anos 80 e que se passa na Inglaterra após uma guerra nuclear limitada, onde um partido fascista tomou o poder. A história é centrada em "V", um revolucionário mascarado e misterioso que prepara uma campanha para derrubar o governo, e nas vidas que ele toca, notadamente a de Evey.

AVISO: Esse post contém spoilers. Se você nunca leu mas é curioso, tem também o link para download das 10 HQs caso prefira ler antes: Download V for Vendetta.
(Estão em inglês)
Para abrir os arquivos use: CDisplay

Agora de volta à HQ: O personagem central, V, é um personagem extremamente dúbio. Em alguns momentos, ele parece um herói, em outros, um louco. Porém, uma coisa é clara: uma idéia é a coisa mais valiosa do mundo. Não pode ser destruída, não importa a força que a tente esmagar. A idéia de se libertar de uma força autoritária, aqui encarnada em V na forma de anarquia, é exatamente a que se propõe a história.

Sem mais delongas, vamos ao que realmente interessa. Num panorama um tanto quanto Orwelliano, o governo vigia e manipula todos através de 5 órgãos, cada um representando um sentido: O Olho (a vigilância), o Ouvido (escutas), a Boca (comunicação com as massas, principalmente representado por Lewis Prothero e seu programa de rádio, "A voz do Destino"), o Nariz (investigações) e a Mão (encarregada de punir os infratores). E através de lemas como "Força pela Unidade. Unidade pela ", o governo mantém seu viés altamente conservador-religioso, uma referência clara ao eixo Reagan-Thatcher que se estabeleceu como dominante nos anos 80.

Eis que, na noite de 05 de novembro de 1997, Evey se oferece como garota-de-programa a membros do Dedo, que então decidem estuprá-la para depois matá-la. V, usando sua habitual máscara de Guy Fawkes, salva Evey e a leva a um telhado, de onde ele detona uma bomba no então abandonado Palácio de Westminster, simulando o fracassado "Gunpowder Plot" de 1605, no qual um grupo de conspiradores tentou matar o Rei James I (Guy Fawkes incluído entre eles). Posteriormente, ambos vão à casa secreta de V, a "Galeria das Sombras".

Depois disso, vemos duas visões distintas que os homens têm sobre a Justiça. A primeira, de Adam J. Susam, "O Líder", convicto de que a disciplina é o meio mais eficiente de atingir a ordem, diz que as liberdades civis são algo perigoso e desnecessário, pois podem fazer com que a disciplina se perca. Adam ama a justiça porque ele pode subvertê-la como uma esposa submissa. A segunda, é de V. Desde criança, V sempre fora um apaixonado pela Justiça e esta era sua musa. Até que percebeu que a Justiça tinha uma queda por homens de farda, e então conheceu sua amante, a Anarquia. Honesta, e que não faz promessas (e por isso não as quebra) e que o ensinou que Justiça não significa nada sem Liberdade. E não significa nada de fato. A justiça das ditaduras é rápida, mas os porões das masmorras ficam abarrotados de gente que falou alto suas críticas. A justiça é influenciável, uma verdadeira prostituta no meio do jogo, se entregando a quem lhe oferecer mais. Essa não é a Justiça que deve ser amada.

A seguir, V se confronta com 3 altos membros do Partido e, acusando-os de atrocidades passadas, os mata: Lewis Prothero ("a voz do Destino" e ex-diretor do campo de concentração de Larkhill), o bispo Anthony Lilliman, pedófilo e a voz do Partido na igreja, e a dra. Delia Surridge. Cada um de acordo com suas características em vida: Prothero, um colecionador de bonecas, enlouquece e acaba "se tornando uma", o bispo é forçado a engolir uma hóstia de cianeto e a dra. Surridge recebe uma injeção letal. Através do diário dela, vemos que ela trabalhou em experimentos hormonais no Campo de Larkhill e que V era um dos prisioneiros na época em que Prothero era o diretor. Um dos 5 sobreviventes, V é colocado na sala V e, enquanto cuidava da horta com produtos químicos como amônia e nitrato, conseguiu fazer gás mostarda e napalm para explodir sua cela e conseguir fugir. O diário da dra. Surridge foi colocado à vista e com páginas que podiam conter informações sobre sua identidade arrancadas. Pesquisando, Finch, o detetive, descobre que V esteve encarregado de matar todas as pessoas que trabalharam em Larkhill enquanto ele estava lá. Todos, sem exceção.

Nesse ponto, temos uma parte WOW! Finch entende que, apesar de parecer que a vingança de V está completa, ela está apenas começando. Sem ninguém para identificá-lo, V se torna aquilo que ele mais valoriza: uma idéia. Não adianta mais matá-lo, assim como não importa mais sua identidade, pois ele se tornou um símbolo. Já se tornou imortal e sua voz já se infiltrou no povo, questionando o governo autoritário e sabendo que "Justiça não significa nada sem liberdade". E quando se chega a esse ponto, não há mais como deter a revolta iminente. V atinge seu objetivo, mesmo não tendo sido ele o responsável direto.


PORRA! Isso é muito foda! E é por isso que eu fico PUTO com gente dizendo que achou ruim o V não tirar a máscara em momento nenhum. E isso aí é só o início, não conto mais para não estragar o de quem for ler, mas o negócio é de uma genialidade tão grande que... PORRA!

Sem falar na eterna ambiguidade de V. Um herói? Um louco? Visionário ou apenas vingativo? Acreditando em algo maior ou apenas mais um querendo o melhor para si? Estava fazendo de Evey um fantoche ou realmente queria mostrar que uma idéia era imortal? E se o autor não propõe um jeito "certo" de se pensar o personagem central da sua trama, não estaria propondo um conceito um tanto quanto anarquista para sua história? E isso não é genial?


"I didn't put you in prison, Evey... I just showed you the bars"

(continuação da parte da estátua: link 1, link 2, link 3, link 4)

Resumo da ópera: Leiam V for Vendetta, é foda pra caralho! Literatura obrigatória dentre as HQs que vão ficar marcadas para sempre.