quinta-feira, 24 de junho de 2010

WTF Day!

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É, amiguinhos. Nada como um dia tenso. Apesar de todos os esforços, não há nada a se fazer quando tudo e todos resolvem te trollar. A última terça-feira, 22/06, foi um exemplo desses dias. E ouvindo a voz de deus Lemmy eu venho contar a vocês tal odisséia.

Começando logo o dia com uma belíssima aula de Transferência de Calor, que nos mostrou o quanto vamos ter que suar pra passar nessa porcaria. Logo após a aula, corri no Zubatmóvel de volta pra Vila Velha pra tentar tirar carteira de trabalho. Chegando ao centro, começou a maior quest dos tempos modernos: a busca por uma vaga.

(Cidadão de Vila Velha que também desistiu de procurar vaga)

Tive que parar o carro um tanto quanto longe. Mas, persistente que sou, fui lá de novo (pois já havia ido e me informaram que o sistema estava fora do ar). Novamente, me afirmaram o mesmo, mas sem previsão para o sistema voltar ao ar. Que ótimo, eu teria que ir até Vitória em busca disso. Zubatmóvel entraria em ação novamente.

Depois de muito me informar e olhar no Google Maps onde seria, descobri que o lugar ficava numa avenida realmente apertada e, com isso, obviamente sem vagas. Mãs, como eu tinha que ir pra UFES depois mesmo, lá fui eu já rezando para o deus imaginário me conceder algo do tipo:


Mas, como no ES nem tudo são flores, o óbvio aconteceu: fui parar a quase 1 km de distância do meu objetivo (que eu achei com uma senhora facilidade), usando toda minha cara-de-pau para deixar o carro num posto de gasolina enquanto fazia todo o caminho de volta no sol escaldante capixaba.

Chegando enfim ao "Centro Integrado de Cidadania", fui lá e perguntei da Carteira de Trabalho e a mulher: "Só estamos fazendo de quem mora em Vitória, porque o Ministério do Trabalho está de greve..."

E nessa hora eu penso "MAS QUE IRONIA, HEIN?", me segurando para não proferir as palavras em voz alta. Fiquei tão puto com isso que me deu vontade de xingar muito no twitter. E ela ainda me diz, com uma coolface danada, que no centro de Vitória tem outro posto. Excelente idéia não fosse o fato de ser absolutamente impossível estacionar lá.

Prosseguindo o dia, vim para o meu emprego (que devo deixar dia 30) para ouvir as típicas frases do pessoal da Eng. de Produção. Felizmente, foi a parte tranquila do meu dia, estudando pra prova de termodinâmica e tomando café. Uma vez liberado, fui a outro laboratório prosseguir com meus estudos e ajudar o RC. no traablho de Estruturas de Dados I e, quando este laboratório fechou, fomos até a biblioteca no Zubatmóvel. Ao sair dele, RC disse "vou levar meu notebook pra terminar o trabalho" e deixou mochila e casaco em cima do banco.

Terminados os estudos (embora eles não tivessem sido tão satisfatórios assim), decidimos ir embora da biblioteca. Eis que, chegando ao carro e abrindo a porta do carona, RC exclama: "Cadê minha mochila?!"

Fucking gone! Simplesmente desaparecida. Depois do momento inicial de procurar embaixo do banco, verifiquei outras coisas que estavam no carro, como o dinheiro do moedeiro, o som e os documentos do carro, além dos vidros. Tudo intacto. Não mexeram em mais nada a não ser a mochila e o casaco dele. Como assim? Totalmente não-solucianadas me apareceram 2 perguntas:

1 - Como conseguiram entrar no carro?

2 - Por que levar só uma mochila e um casaco?

Uma possibilidade, pra mim a única que poderia explicar ambas, é:


NINJAS!
Quem mais seria capaz de fazer algo assim com tamanha destreza? Quem mais faria algo assim aparentemente sem motivação alguma e para surrupiar algo sem valor? É por isso que eu digo, tome cuidado, pode haver um ninja à espreita, apenas esperando o momento certo de afanar sua mochila, ou o cadarço do seu tênis ou, quem sabe, até mesmo sua tigela de cereais!

Ficando por aqui com as sinceras condolências ao RC pelos objetos perdidos. Até mais, pessoas.


Obs.: A ironia quanto ao Ministério do Trabalho não quer dizer que eu ache que eles não têm os mesmos direitos trabalhistas e bla bla bla, apenas acho que a greve num órgão com esse nome é algo irônico. Seria até engraçado se eu não estivesse tomando na cabeça no meio tempo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Remember, remember, the 5th of November

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The gunpowder treason and plot
I see no reason why the gunpowder treason
Should ever be forgot

O post de hoje é dedicado a V for Vendetta, uma HQ de 10 volumes, de autoria de Alan Moore e desenhada por David Lloyd, publicada durante os anos 80 e que se passa na Inglaterra após uma guerra nuclear limitada, onde um partido fascista tomou o poder. A história é centrada em "V", um revolucionário mascarado e misterioso que prepara uma campanha para derrubar o governo, e nas vidas que ele toca, notadamente a de Evey.

AVISO: Esse post contém spoilers. Se você nunca leu mas é curioso, tem também o link para download das 10 HQs caso prefira ler antes: Download V for Vendetta.
(Estão em inglês)
Para abrir os arquivos use: CDisplay

Agora de volta à HQ: O personagem central, V, é um personagem extremamente dúbio. Em alguns momentos, ele parece um herói, em outros, um louco. Porém, uma coisa é clara: uma idéia é a coisa mais valiosa do mundo. Não pode ser destruída, não importa a força que a tente esmagar. A idéia de se libertar de uma força autoritária, aqui encarnada em V na forma de anarquia, é exatamente a que se propõe a história.

Sem mais delongas, vamos ao que realmente interessa. Num panorama um tanto quanto Orwelliano, o governo vigia e manipula todos através de 5 órgãos, cada um representando um sentido: O Olho (a vigilância), o Ouvido (escutas), a Boca (comunicação com as massas, principalmente representado por Lewis Prothero e seu programa de rádio, "A voz do Destino"), o Nariz (investigações) e a Mão (encarregada de punir os infratores). E através de lemas como "Força pela Unidade. Unidade pela ", o governo mantém seu viés altamente conservador-religioso, uma referência clara ao eixo Reagan-Thatcher que se estabeleceu como dominante nos anos 80.

Eis que, na noite de 05 de novembro de 1997, Evey se oferece como garota-de-programa a membros do Dedo, que então decidem estuprá-la para depois matá-la. V, usando sua habitual máscara de Guy Fawkes, salva Evey e a leva a um telhado, de onde ele detona uma bomba no então abandonado Palácio de Westminster, simulando o fracassado "Gunpowder Plot" de 1605, no qual um grupo de conspiradores tentou matar o Rei James I (Guy Fawkes incluído entre eles). Posteriormente, ambos vão à casa secreta de V, a "Galeria das Sombras".

Depois disso, vemos duas visões distintas que os homens têm sobre a Justiça. A primeira, de Adam J. Susam, "O Líder", convicto de que a disciplina é o meio mais eficiente de atingir a ordem, diz que as liberdades civis são algo perigoso e desnecessário, pois podem fazer com que a disciplina se perca. Adam ama a justiça porque ele pode subvertê-la como uma esposa submissa. A segunda, é de V. Desde criança, V sempre fora um apaixonado pela Justiça e esta era sua musa. Até que percebeu que a Justiça tinha uma queda por homens de farda, e então conheceu sua amante, a Anarquia. Honesta, e que não faz promessas (e por isso não as quebra) e que o ensinou que Justiça não significa nada sem Liberdade. E não significa nada de fato. A justiça das ditaduras é rápida, mas os porões das masmorras ficam abarrotados de gente que falou alto suas críticas. A justiça é influenciável, uma verdadeira prostituta no meio do jogo, se entregando a quem lhe oferecer mais. Essa não é a Justiça que deve ser amada.

A seguir, V se confronta com 3 altos membros do Partido e, acusando-os de atrocidades passadas, os mata: Lewis Prothero ("a voz do Destino" e ex-diretor do campo de concentração de Larkhill), o bispo Anthony Lilliman, pedófilo e a voz do Partido na igreja, e a dra. Delia Surridge. Cada um de acordo com suas características em vida: Prothero, um colecionador de bonecas, enlouquece e acaba "se tornando uma", o bispo é forçado a engolir uma hóstia de cianeto e a dra. Surridge recebe uma injeção letal. Através do diário dela, vemos que ela trabalhou em experimentos hormonais no Campo de Larkhill e que V era um dos prisioneiros na época em que Prothero era o diretor. Um dos 5 sobreviventes, V é colocado na sala V e, enquanto cuidava da horta com produtos químicos como amônia e nitrato, conseguiu fazer gás mostarda e napalm para explodir sua cela e conseguir fugir. O diário da dra. Surridge foi colocado à vista e com páginas que podiam conter informações sobre sua identidade arrancadas. Pesquisando, Finch, o detetive, descobre que V esteve encarregado de matar todas as pessoas que trabalharam em Larkhill enquanto ele estava lá. Todos, sem exceção.

Nesse ponto, temos uma parte WOW! Finch entende que, apesar de parecer que a vingança de V está completa, ela está apenas começando. Sem ninguém para identificá-lo, V se torna aquilo que ele mais valoriza: uma idéia. Não adianta mais matá-lo, assim como não importa mais sua identidade, pois ele se tornou um símbolo. Já se tornou imortal e sua voz já se infiltrou no povo, questionando o governo autoritário e sabendo que "Justiça não significa nada sem liberdade". E quando se chega a esse ponto, não há mais como deter a revolta iminente. V atinge seu objetivo, mesmo não tendo sido ele o responsável direto.


PORRA! Isso é muito foda! E é por isso que eu fico PUTO com gente dizendo que achou ruim o V não tirar a máscara em momento nenhum. E isso aí é só o início, não conto mais para não estragar o de quem for ler, mas o negócio é de uma genialidade tão grande que... PORRA!

Sem falar na eterna ambiguidade de V. Um herói? Um louco? Visionário ou apenas vingativo? Acreditando em algo maior ou apenas mais um querendo o melhor para si? Estava fazendo de Evey um fantoche ou realmente queria mostrar que uma idéia era imortal? E se o autor não propõe um jeito "certo" de se pensar o personagem central da sua trama, não estaria propondo um conceito um tanto quanto anarquista para sua história? E isso não é genial?


"I didn't put you in prison, Evey... I just showed you the bars"

(continuação da parte da estátua: link 1, link 2, link 3, link 4)

Resumo da ópera: Leiam V for Vendetta, é foda pra caralho! Literatura obrigatória dentre as HQs que vão ficar marcadas para sempre.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Complexidade lírica é rara hoje em dia.

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Acho que isso é uma verdade inquestionável no cenário musical atual. Enquanto no mainstream americano os "motherfuckers" reinam cada vez mais soberanos com suas letras que seriam dignas de um funk brasileiro da pior classe e as cantoras bundudas desfilam com letras são vazias quanto seus crânios, no brasileiro, vemos a tal Família Restart com seu "rock" colorido e a eterna junção axé-funk-sertanejo-pagode nos contamina. Pior ainda se você morar no meu Estado, que está cercado por Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Já viu a lambança, né?


E é nesse contexto desesperador que eu faço o post de hoje. E é também sobre desespero que ele fala. Falo hoje de uma música que ouvi ano passado e ainda me impressiona bastante. Ela se chama "Cruel Mistress", da banda de celtic punk originada em LA e capitaneada pelo dubliner Dave King: Flogging Molly.

(Irish Badassery)

Infelizmente, eu não consigo achar uma versão ao vivo dessa música, o que me faz crer que não seja muito popular, mas eu falo dela mesmo assim. Aqui um vídeo com a versão dela de estúdio:

Next time out to sea bring enough soil to bury me
For I don't want my final jig in the belly of a squid
Take my trousers take my shirt, just give me that sweet dirt
For the water's cold and grim and I never did learn to swim

No her love never set me free so I set off for the ocean
Now in my dreams she comes to me whispering of peace
But I've known since the day that we sailed for Santiago
Her dry embrace would kiss my face
No never, no more

The Sea is a Cruel Mistress
The Sea is a Cruel Mistress

Many moons to the day that I threw her love away
Now every whale spouts,"go to hell" as the wind laughs in my face
I've grown harder on the eyes and salty on the taste
My pride has gone with the wake as I wait a cold wet grave

I rose to the smell of a wet desert hell
And I thought to myself how'd I wind up in this jail
Till a voice called to me from deep within the sea
'Dry your eyes my dear fisherman Your ass belongs to me!'

The Sea is a Cruel Mistress
The Sea is a Cruel Mistress

The earth will rest my bones
Lord I know, Lord I know
But I'll see you when I get home
From the cold, yeah from the cold


Fala sério, só olha essa letra de cima e me diz se isso não é um retrato assustador e perfeito de um homem que entrou em completo desespero após perder a esperança de reencontrar o amor da sua vida? Pra falar a verdade eu não sei nem de onde começar a analisar, mas vamos por estrofes:

1. Next time out to sea, bring enough soil to bury me
- da próxima vez que sairmos ao mar, tragam terra o bastante para me enterrar
For I don't want my final jig in the belly of a squid
- porque eu não quero meu canto final na barriga de uma lula
Take my trousers take my shirt, just give me that sweet dirt
- tirem minhas calças, tirem minha camisa, apenas me dêem aquela doce poeira
For the water's cold and grim and I never did learn to swim
- porque a água é fria e assustadora e eu nunca aprendi a nadar 

"Não tenho nada mais a perder." É o que eu vejo nosso pobre pescador declarar aqui. Ele quer morrer, sabe que vai, apenas pede que o enterrem, ao invés de lançá-lo ao mar. Ele não sabe nadar e tem medo d'água, então só pede que seu corpo não repouse por lá.

2. No her love never set me free so I set off for the ocean
- não, o amor dela nunca me libertou, então parti rumo ao oceano
Now in my dreams she comes to me, whispering of peace
- agora nos meus sonhos ela vem a mim me sussurando paz
But I've known since the day that we sailed for Santiago
- mas eu sabia desde o dia que embarcamos rumo a Santiago
Her dry embrace would kiss my face. No never, no more
- o abraço seco dela nunca mais beijaria meu rosto. não, nunca mais

The Sea is a Cruel Mistress - o mar é uma amante cruel

Aqui ele entende que o que fez foi um grande erro. Fugir de um amor não te faz esquecê-lo, muito menos deixar de amá-lo. No caso do nosso pescador, ele entende que nunca mais vai ver a mulher que ele ama e é aí que começa sua loucura.

3. Many moons to the day that I threw her love away
- muitas luas desde o dia em que eu joguei o amor dela fora
Now every whale spouts, "go to hell" as the wind laughs in my face
- agora toda baleia grita "vá pro inferno" enquanto o vento ri na minha cara
I've grown harder on the eyes and salty on the taste
- eu fiquei mais duro nos olhos e meu gosto mais salgado
My pride has gone with the wake as I wait a cold wet grave
- meu orgulho se foi com o wake* enquanto eu espero uma tumba fria e molhada

*wake: o rastro de água que fica atrás do navio à medida que ele navega.

A loucura o consumindo. Tire a esperança de um homem que não tem nada a perder e o caminho para esse estado mental é uma queda livre vertiginosa. Ele já enlouqueceu nesse ponto, consumido pela sua falta de objetivos. Tornou-se indiferente a tudo que acontece, o que foi refletido no "salgamento" do seu gosto e no "endurecimento" dos olhos. Agora tudo que ele faz é esperar sua morte. Nesse caso, a única coisa que traria paz à sua mente.

4. I rose to the smell of a wet desert hell
- eu me levantei ao cheiro de um inferno molhado e deserto
And I thought to myself how'd I wind up in this jail
- e pensei comigo mesmo como acabei aqui nessa cadeia?
Till a voice called to me from deep within the sea
- até que uma voz me chamou do fundo do mar
"Dry your eyes my dear fisherman your ass belongs to me "
- "Enxugue as lágrimas, meu querido pescador, seu traseiro me pertence!"

A morte. Quando ele cai de novo em si e tenta entender o que aconteceu, já é tarde demais. O mar o chama. Sentindo-se preso ali, ele se entrega. Levado à loucura por si mesmo, essa é a única solução para acabar com seu desespero.

5. The earth will rest my bones - a Terra vai repousar meus ossos
Lord I know, Lord I know - Senhor eu sei, Senhor eu sei
But I'll see you when I get home - mas te verei quando chegar em casa
From the cold, yeah from the cold - do frio, é, do frio

A paz. Agora ele vai conseguir descansar finalmente sua mente perturbada. Ele de novo passa a ter esperança de reencontrar sua mulher num outro plano. O único jeito de aliviar-se.

PORRA! A única coisa que eu pude dizer quando entendi a letra desse jeito foi isso: PORRA! Isso é foda demais! O jeito como ela te coloca dentro da mente dele, explorando o turbilhão pelo qual ele passava ao perceber que não tinha mais volta é perfeito. E por isso também assustador. Depois de ouvir essa música de novo, quantos de vocês não se sentiram tocados pelo que o nosso pescador estava sentindo?

Sério, caras (e moças). Não dá mesmo pra acreditar que "aposto um beijo que você me quer" tá fazendo sucesso. Não dá MESMO pra acreditar que rebolation faça sucesso. E definitivamente não dá pra acreditar que "lererê lerê" seja entoado aos quatro ventos em churrascos randoms. Perdoa-os, Lemmy, eles não sabem o que fazem!

(pra quem se interessar na banda, baixem esse cd aqui que é meu favorito e que contém essa música aí em cima: Link)

Update: Esqueci de mencionar, essa música é de 2002, não tão velha assim, vai.

sábado, 22 de maio de 2010

Sobre São Paulo, taxistas e ZZ Top.

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Quinta-feira. 20 de maio de 2010. Zubat acorda às 5:30 da manhã na expectativa de uma indigestíssima aula de termodinâmica. Mas whatever, logo mais ele iria rumo a São Paulo, onde encontraria fellas, beberia cerveja e, finalmente, veria o show de uma de suas bandas favoritas: o ZZ Top.


A primeira vez do Zubat na Terra da Garoa, sem pais. Sem ninguém para ser responsável no caso de algo dar errado. Inteiramente sozinho e tendo que se virar. Pois muito bem. Challenge accepted.

12:00. Almoço no RU. Aparentemente tudo ok. Peguei um ônibus megalotado pra sair da UFES até o aeroporto. Mas tudo bem, embarquei e peguei meu livro pra ler. Ulisses, do James Joyce, pra me distrair um pouco de integrais e programação e reforçar o espírito irlandês. Três horas e alguns minutos depois, lá se revelava, na janela do avião, São Paulo.

Cosmopolita. Cinza. Cheia de prédios. Rockeira. Um refúgio. Enorme. Minha "Paradise City", where the grass is grey and the girls are pretty. O lugar onde eu me encontro. Mas dessa vez, eu estava sozinho. E nervoso pra caralho. Ao desembarcar em Congonhas, eu sabia que tinha uma van me esperando pra levar pro hotel, só não sabia qual era essa van. E elas não iam facilitar either. Por mais que dissessem que tinha o símbolo do hotel nelas, eu não conseguia identificar. Acabei pagando um táxi pra me levar até lá, e pagando R$10 para ele simplesmente fazer um retorno. Ou seja, era só ter atravessado a rua. Facepalm pra mim mesmo.

15:30. Uma vez no hotel e com check-in feito, fui tomar meu banho, afinal tinha marcado com os fellas na Consolação para fazermos algo de interessante em algum dos estabelecimentos por lá. Como eu estava tomando remédios para curar essa garganta, minha cota de álcool ficou absolutamente reduzida, mas eu fui.

16:00. Como não tinha metrô perto do hotel (o que é estranho, já que fica perto do aeroporto e tal), descobri com os atendentes do hotel que precisaria pegar o "Jabaquara". Fui para o ponto e vi vários ônibus com o símbolo do metrô. Mas o Jabaquara que é bom, niente. Resolvi pegar algum outro random. Daí experimentei o delicioso trânsito de São Paulo. Demorei mais tempo dentro desse ônibus do que no metrô, e olha que a distância que o metrô percorre é bem maior.

17:00. Chegando à Consolação, recebi um sms da R., que em breve dará à luz o primeiro afilhado da Men's Talk, dizendo que não poderia ir, porque pensou que iria estar no lugar do show às 8, quando na verdade eu ia sair da Consolação nesse horário. Uma falha de comunicação intensa e nada de ver R. barriguda. Anyway, foram 3 horas conversando com o I. sobre ciência, tomando cerveja (pouca, no entanto, devido aos medicamentos supra-citados) e roendo as unhas esperando a hora do show.

20:00. Hora de pegar um táxi e ir pra Funchal. O taxista veio do Piauí e ouvia... blues! Fomos o trajeto todo conversando sobre grandes clássicos e casas de blues paulistanas. Impressionei-me, confesso. Afinal, por aqui os taxistas não são exatamente exemplos de bom-gosto musical (a primeira vez que eu ouvi o Rebolation, por exemplo, foi num táxi) e, de repente, estão ouvindo blues! FUCK YEA. Mais um ponto pra São Paulo. E, ao me deixar na casa de show onde o ZZ Top estaria, um "bem-vindo a São Paulo".

20:30. Retirar o ingresso na bilheteria. Bem-sucedido. Entrar e procurar o lugar o mais perto possível da grade que separa a área VIP da área comum. Lá estava eu. Ansioso. Muito. O Hudson ia abrir o show. Tudo bem, ele fez um cd fodão depois que deixou o sertanejo mas ainda assim eu tava com um pé atrás. Até que ele começou e, PORRA, o cara toca muito. Dedicando o show a Ronnie James Dio, o guitarrista ganhou muitos pontos com todos e, mandando sons de Steve Vai, Deep Purple e Stevie Ray Vaughan, Hudson conseguiu queimar a minha língua exemplarmente e até comentar com um random do meu lado: "e pensar que esse cara tocava sertanejo..."

22:00. O momento que todos aguardávamos. O ZZ Top ameaçava entrar no palco. O som do AC/DC reverberava pela Via Funchal enquanto 6,000 rockeiros se agitavam. Até que eles entraram. Barbas primeiro, obviamente. E já chegaram mandando o som potente e empolgante que é "Got Me Under Pressure". Suficiente pra me fazer gritar até não ter ar mais nos pulmões. E daí até "Tush", que fechou o show, eu não parei. Minha voz? Já era. Mas o show foi um verdadeiro orgasmo. "I knew these guys were good, I just hadn't realized how good". Duas horas de puro blues texano. Até arrisquei alguns passos. As duas melhores horas pelas quais eu passei nesse ano de 2010. O ZZ Top mostrava porque tem a reputação de ser uma das melhores bandas ao vivo da história. E muitas moçoilas, para aqueles que dizem que não existem mulheres rockeiras.


0:10. Fim de show. Sensação de "PORRA, QUE SHOW DO CARALHO". Sensação de ter gastado muito bem o dinheiro percorrendo tooooooodo o caminho desde o ES até São Paulo pra ver uma banda tocar e voltar no outro dia. Algumas pessoas nunca vão entender essa sensação de ver uma banda tocar ao vivo. E é melhor que elas não entendam mesmo. Na saída, fui procurar um souvenir pra comprar. Vi as camisas, mas estavam uma facada absurdamente alta e eles não aceitavam cartão. Resolvi que ia comprar o chaveiro. R$30. Acabei ficando com 40 na carteira. Fui conversar com o taxista e ele disse que era R$50 até meu hotel.

Alguns momentos depois, uma moça random passa e o taxista pergunta se ela vai de táxi. Acabamos descobrindo que meu hotel era caminho pra casa dela, então fechamos um acordo e fomos. No caminho, ele botou o "Born Again" pra tocar, disse que tinha ido ao primeiro Rock in Rio. A moça, Ana (por alguma coincidência levemente estranha, o nome da minha mãe), que acabou me salvando, era analista de sistemas do Santander, 21, ouvia Black Sabbath, ZZ Top e Johnny Winter e usava linux. WTF EU AINDA TO FAZENDO NO ES?

Muito obrigado, São Paulo, por renovar minha fé na humanidade, mostrar que Leather Girls existem (e aos montes) e, principalmente, fazer de mim a pessoa mais feliz do mundo por duas horas. Mal posso esperar pra voltar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Coisas que a gente ouve quando é monitor de laboratório.

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E ao som absolutamente dorgas do Humble Pie, eu começo mais um post de nerdice eventual. Depois de dois meses trabalhando no Lab para um verdadeiro Tech Impaired Duck, eu achei que ia acabar me acostumando. Mas não é verdade. Mesmo depois de todos os esforços dos desenvolvedores para tornar o Linux mais acessível, mesmo depois de fazer equivalentes para vários programas e mesmo depois de todo o esforço em torno do desenvolvimento cooperativo, eles insistem. A parte engraçada é que eles sempre geram umas boas risadas depois.


Bem, como eu disse anteriormente, desde março venho trabalhando num laboratório da UFES como monitor. O laboratório se chama LabNult, e é relacionado a projetos de mestrado e doutorado na área de transportes. Como era de se esperar, comandado por professores dos Departamentos de Civil e Produção, ambos exímios conhecedores da área de TI. Nada melhor do que um aluno de Eng. de Computação pra supervisionar isso, certo?

Mas relevando a parte técnica (e chata) da coisa, lá estava eu num dia comum de laboratório. Vigia máquinas aqui, passa anti-vírus lá, era só mais um dia regular jogando FreeCell e esperando o tempo passar enquanto ficava à toa no msn. Eis que surgem, eles, os alunos da Produção, com as pérolas do dia.

Até que se eles ficassem no canto deles, eu nem reclamaria. Mas eu juro que eles provocam! Logo os dois se sentaram e começou a discussão OpenOffice x MS Office (já que no lab usamos Open, e as antas fazem o trabalho em MS Office só pra ter o trabalho de ter que formatar tudo de novo depois, por que não usam o TEX?):

- Pra que usar OpenOffice, cara? Faz tudo no Office normal mesmo!
- Mas cara, se aqui só tem OpenOffice, melhor já começar...
- Ih, carai...

Algum tempo depois, ouve-se um outro diálogo (não com os mesmos protagonistas), em que um dos usuários em questão começou a louvar o Windows. Com um tempero adicional: louvou a pirataria e ensinou todos os seus "truques" de malandrão enganador da Microsoft. De onde eu comecei a prestar atenção:

- ... de onde você acha que as pessoas arrumam cds do Windows?
- Hmm, com outras pessoas que tenham.
- É, mas você acha que essas pessoas compram o Windows? Não, elas baixam da internet!
- E ninguém compra um original? E como valida?
- Ah, você só precisa apagar uma chave de registro lá [valeu, hacker]... porque linux ninguém usa, né?

Minha reação ao ouvir tão sábias palavras


A partir daí não aguentei mais, confesso. Tive que ir buscar uma água pra beber, ir no banheiro, qualquer coisa, mas ficar ali, com um exemplo clássico de usuário NOOB? Pra se coroar, ouvimos os comentários sobre o novo sistema do RU (Restaurante Universitário), que agora usa canecas ao invés de copos descartáveis:

- Ah, já estão usando as canecas. Se você quiser, eu te empresto meu caneco pra você ir lá comer.

Para fechar, a verdade absoluta e infalível: Algum dia, você vai trabalhar com (ou para) gente que não tem a menor ideia do que está fazendo. E aí, amigo, a única coisa a se fazer é sentar e dar risada de tudo.

Menção honrosa do post vai para a S., que está batalhando arduamente para usar seu Linux e deixar para trás todas as pessoas que mandaram ela colocar fuckin' ruindows.

domingo, 16 de maio de 2010

Diversão é um conceito relativo.

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Ponto.

Cada um se diverte de um jeito. Tem gente que vai pescar. Outros vão à praia. Alguns praticam esportes, yoga. Tocam instrumentos musicais. Fliperamas, videogames. Coisas não-mencionáveis nesse blog nerd também entram no pacote. Nerds vêem Star Wars ou fazem programas (de computador!). Rockeiros costumam ligar seus fones bem altos ou vão a bares onde bandas pequenas entoam clássicos imortalizados. E, bem, pessoas festeiras vão a festas.

Ok, nós somos minoria. Não obrigamos ninguém a tocar rock em festas. Nós sabemos que é inviável. Mas, na maioria das vezes, estamos lá pela companhia (ou pelo álcool também, mas nem sempre). Então, por favor, não adianta tentar nos forçar a gostar do lixo musical atual porque você está achando que vamos nos divertir mais com isso. Nós não vamos.

Tentar definir um conceito universal para diversão é tão danoso que costuma deixar as pessoas irritadas. A situação piora com o ar de superioridade que elas assumem quando tentam te convencer que a noção de diversão delas é a melhor e que você devia seguir.

Eu explico. No meio de minha tranquilidade vespertina, eis que sou subitamente indagado pela C.: "tu só ouve rock?". Ao que eu respondi:

Andre : blues, jazz, heavy metal, um pouco de country e mais um monte de gêneros do tipo "não reclamo se tiver tocando, mas não é o que eu escolho também"
C. : coisas da mesma vertente..
C. : tu é que nem a H., ela só ouve as musicas dela o recreio todo
C. : e nas festas fica sentada
C. : não se diverte...


Problema identificado. A tentativa de unificação de um conceito altamente relativo, como eu disse acima. E, como eu disse acima, muitas vezes estamos em festas não pelas festas em si, mas pelas pessoas que estão nela. O reveillon passado teria sido uma porcaria se eu não tivesse encontrado alguns fellas por lá. Continuando a conversa:

Andre : diversão é um conceito relativo
C. : eu gosto de rock, mas aprendi a gostar de outras musicas tbm e desde então sou muito mais aberta pra vida
C. : ainda sou tímida e fico no meu canto na maioria das vezes, mas me divirto muito mais
Andre : então tá


Tudo bem, se diverte, longe de mim duvidar. Mas por que essa obsessão em querer que nós façamos o mesmo quando sabem que não é o que nos agrada? Não, nós não vamos dançar rebolation porque você acha que isso é ser mente aberta, muito menos ir até o chão, a menos que estejamos muito bêbados.

Porque pra maioria dos rockeiros, é extremamente mais interessante ver uma banda tocando do que um DJ apertando botão play. E ainda bem que nem todo mundo sabe disso, pois assim constrói-se uma ideia de cooperação entre nós que raramente se vê entre "ravers", "micareteiros" ou "funkeiros". A vida de alguns é tocada de modo tão forte pela música que é quase uma religião. É impossível nos dissociar dela. A maioria das pessoas não vai entender isso nunca. E a conversa se finalizou com uma das frases mais típicas possíveis nesse tipo de debate:

Andre : só não tentem impor isso pra gente como se todo mundo devesse gostar desse lixo musical que é o Brasil pra se divertir adequadamente
C. : só te acho muito cabeça fechada.. daqui um tempo tu vai me entender

Ok, as pessoas formam um conceito padrão para diversão e o cabeça-fechada sou eu?



E de volta ao assunto-chave do post. Diversão. 2 horas num show de uma banda que você passa a vida toda ouvindo e desejando ver ao vivo, ao lado de pessoas que estão lá pelo mesmo motivo, vale por um ano de festas random ouvindo DJs apertando botão play. Para mim. Ouviram bem? Isso não é uma discussão. É um conceito. Eu não ligo pro que você acha melhor, não é o meu melhor. Então eu fecho esse post com um apelo:

NÃO tentem dizer que vocês se divertem mais. Nunca. Cada um faz o que acha melhor e isso não é problema de mais ninguém. Parem de tentar unificar um conceito relativo. Diversity makes life!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Post atrasado de Dia das Mães.

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Primeiramente, parabéns para a senhora sua mãe. E parabéns também para a senhorita que um dia pode virar mamãe, acidentalmente ou não. É o dia de homenagear nossas queridas genitoras que nos acordavam para a escolinha de esporte, mandavam-nos para o dentista louco arrancar nossos dentes, preparavam-nos a merendeira e, mais recentemente, esperam-nos com fogo nos olhos quando chegamos über bêbados mas mesmo assim não conseguem deixar de cuidar de nós durante a ressaca. Obrigado, mãe :D



Mas nenhum post estaria completo se eu não falasse da MINHA mãe. Dona Ana Lúcia. Um tremendo osso duro de roer para os vizinhos e um eterno guia leigo de sabedoria popular. No entanto, isso vêm com um preço.

A fama de auditora guerreira que não deixa irregularidades passarem veio com uma enorme displicência elétrica no pacote. Talvez seja por isso que meu pai tenha feito Eng. Elétrica, mas enfim, eu explico.

Máquina de lavar nova. A solução para a nossa antiga, que era uma mistura de turbina de avião com pato, e ainda espalhava água pela cozinha toda. Até aí tudo ótimo. Porém, quando botei o pé em casa e vi aquele monstro branco envolto em plástico e isopor, eu sabia que seria um dos meus dias de orelha-seca.

Um tanto quanto contrariado, fui ajudar o meu pai a instalar aquele singelo eletrodoméstico em nossa cozinha. Carrega peso pra lá, puxa peso pra cá, raspa a mão no batente da porta e encaixa tubos aqui e ali. No final, tudo conectado e pronto pro teste.

(Vai, pode abrir o registro!)

Registro aberto e, em alguns segundos, o vazamento na torneira de encaixe começou. Porém, nada que um pouco de veda-junta e pressão não resolvesse. Novamente ligado e não vazou. Sucesso! Agora só falta um teste pra ver se a água tá escoando legal e pronto.

Dona Ana Lúcia disse: "Deixa comigo.", afinal ela é a mãe na casa, deve saber o que fazer, então eu e meu pai fomos tratar de realocar a máquina antiga, quando, de repente, uma expressão de descontentamento e minha mãe levantando a tampa da máquina e puxando uma massa de papéis molhados. Ela tinha esquecido os manuais dentro!

E quem disse que ela ficou satisfeita com isso? Como se não fosse o bastante, ela pegou aquela massa de papéis molhados e colocou em cima do microondas. Isso mesmo. Aquele aparelho altamente sensível e possivelmente cancerígeno, cheio de folhas molhadas em cima.

Correndo e com uma cara semelhante ao cidadão à direita, fui em busca dos papéis e, com os conhecimentos de Urgência e Emergência que eu tenho, salvar o microondas de uma morte lenta e dolorosa. Com sucesso. Saldo final: máquina trocada e um post pro blog. Até que não foi tão ruim, afinal!

Fica aqui a minha homenagem a todas as mães desse mundo, porque sem elas, nada seria possível!

domingo, 2 de maio de 2010

Technologically Impaired Ducks: They're everywhere!

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Antes de mais nada, venho aqui justificar a minha longa e prolongada ausência. Algumas pessoas chegaram a achar que eu morri devido ao sumiço causado na última semana. Mas, para a felicidade (ou não) de todos, não foi o que aconteceu. Como todos sabem (ou deveriam saber, já que eu mencionei no meu primeiro post), atualmente estou cursando Engenharia de Computação na UFES e essa semana eu tive uma singela combinação de duas provas (Termodinâmica e Circuitos Elétricos II) e mais um trabalho de Estruturas de Dados I, sendo que a prova de Circuitos foi responsável por eu bater dois recordes: número de horas ininterruptas acordado (36) e dormindo (15). Então, é, foi uma semana e tanto.

Mas de volta ao assunto do post. Provavelmente você não entendeu nada. Technologically Impaired Duck é um meme do 4chan que retrata pessoas com absolutamente nenhum senso sobre como a internerd funciona. Vamos a alguns exemplos:

Hoje, enquanto eu fazia o trabalho de Estruturas de Dados supracitado, eis que me surpreendo com minha prima, referida aqui apenas como B., no msn tendo uma dúvida atroz sobre seu novo brinquedo tecnológico. Abaixo, o log da conversa:


B. diz: ei
B. diz: uahuaha
Andre diz: B. \o
B. diz: deixa eu te falar
B. diz: eu comprei um macbook
B. diz: mas serio
B. diz: nao to me dando mt bem com el
B. diz: ele*
Andre diz: haha
B. diz: ai eu queria ver
B. diz: se tem como colocar windows aqui
B. diz: se vc acha que seria um boa idéia
B. diz: ou nao


Ok, primeira pausa na conversa. Windows nunca, e eu realmente destaco, NUNCA vai ser algo que eu vou recomendar como uma boa ideia. Windows é um sistema REPLETO de falhas de segurança (tanto que você vive cheio de antivírus), além de ser limitado quanto ao que você pode fazer com ele. Sem falar no desempenho sofrível. Então como assim, você quer limitar o desempenho do seu Mac, é isso? Continuando a conversa...


 
Andre diz:
não é uma boa idéia
Andre diz:
a maioria dos programas tem um equivalente pra mac
B. diz:
arg
B. diz:
entao vou comprar outro notebook



Wait, wat

Eu digo que o mac tem equivalentes e isso vira motivo para comprar outro notebook? Como assim? Chegamos aqui a mais um grande problema causado pelo Windows: a mentalidade dos seus usuários.

Usuários Windows são exatamente o que eles próprios acusam os usuários Linux: xiitas. Eles não conseguem se adaptar, a menos que realmente queiram e, com isso, mudem a mentalidade, que antes estava acostumada a um ambiente windows para outro. Usuários que tentam migrar do Windows para outro sistema operacional costumam esperar uma exata cópia do Windows, porém livre (no caso do Linux) ou com desempenho absurdamente melhor (no caso do MAC).


Agora me respondam, como poderia uma cópia ser melhor do que o original? Como bem explica esse texto, uma cópia pode ser exatamente igual, mas nunca melhor, e é citado o exemplo do Firefox, que ganhou do Internet Explorer ao incorporar recursos que o último não tinha.


E essa minha conversa com a B. só me mostra o mal que o Windows causou entre os usuários finais, que aparentemente preferem abrir mão de um sistema que tem o desempenho infinitamente superior porque não conseguem se adaptar a um novo paradigma de usabilidade. É, o mal que a Microsoft causou foi muito maior do que simplesmente um sistema operacional péssimo.

Pra fechar, uma tirinha do Nerdson, blog do qual virei um fã instantâneo ao lê-lo no trabalho, e que retrata, através do Bozo, esse tipo de usuário:
(Clique para ampliar)

Talvez o fato de essa minha prima ser muito mais próxima da minha irmã do que de mim diga bastante coisa. Arrivederci.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Conjectura de Poincaré é resolvida após 100 anos.

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É com notável atraso que eu coloco uma notícia assim no blog, mas é o tipo de notícia que não pode passar despercebida num blog que se auto-intitula nerd. Grigori Perelman, matemático russo de São Petersburgo, anunciou uma solução para um dos 7 "Problemas do Milênio" propostos pelo Clay Institute em 2000, em 2003, e estava em fase de análise desde então. Dia 18/03/2010, o problema foi oficialmente declarado como "resolvido".

Hã?

No ano de 2000, "para celebrar a matemática no novo milênio,o Instituto Clay de Matemática de Cambridge, Massachussetts, estabeleceu 7 "Problemas Prêmio". Os prêmios foram feitos para registrar alguns dos mais difíceis probblemas com os quais os matemáticos 'brigavam' na virada do milênio; para elevar a consciência do público de que a matemática ainda tem fronteiras inexploradas e muitos problemas não-resolvidos; para enfatizar a importância de trabalhar por uma solução dos mais difíceis e profundos problemas; e para reconhecer feitos de magnitude histórica na matemática".

São eles: Conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer, Hipótese de Riemman, Conjectura de Hodge, Equações de Navier-Stokes, P vs NP, Teoria de Yang-Mills e a recém-resolvida Conjectura de Poincaré.

Hã, e o que essa conjectura dizia?

Você provavelmente não vai entender. Eu mesmo não entendi direito. É algo que envolve geometria diferencial, topologia e contas absurdamente complicadas. Porém uma das coisas interessantes é que agora podemos especular sobre as formas de virtualmente tudo, até mesmo a forma do cosmos, antes incrompeendida, mas que agora pode receber uma luz.

Tá, e daí?

E daí que o Clay tá pagando 1 milhão de dólares pra quem resolver qualquer um deles.

Sério!?

Aham, e ele recusou.

WAT

Isso aí, não tem a menor intenção de reclamar o prêmio. Assim como recusou a medalha Fields ("o nobel da matemática") em 2006 pelo mesmo motivo.

Ele é doido?

Aparentemente, sim. Olhe pela cara do cidadão na foto. Pra complicar ainda mais, Perelman mora com a mãe e a irmã num apartamento em São Petersburgo (ele teria também um flat, porém raramente usado e infestado de baratas), costuma caminhar olhando fixamente para o chão e mais alguns outros comportamentos excêntricos. Para Perelman, o simples reconhecimento de que sua resolução estava correta já era suficiente!

É, ele é doido...

Sem dúvida ele não é nada normal (é um matemático, afinal), mas vendo contribuições assim, eu confesso que sinto uma pontinha de inveja pelas pessoas que fazem a diferença na ciência e acho que eu bem gostaria de enveredar numa pesquisa maluca dessas para desenvolver algo novo e acabar como professor de universidade com o nome na porta.

Obrigado e parabéns, Perelman!

PS.: Links para quem quiser se aprofundar:
http://www.claymath.org/poincare/ - O anúncio oficial
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=9551&op=all - explicação em termos mais leigos
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,matematico-russo-recusa-premio-de-us-1-milhao,528487,0.htm - mais notícias

E a eterna piada, o link com os outros 6 problemas para quem quiser tentar resolver: http://www.claymath.org/millennium/

quarta-feira, 10 de março de 2010

Celulares Musicais, Episódio III: A vingança dos incomodados.

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Agora que sou um jovem responsável e cheio de atribuições profissionais, devo postar nisso aqui menos frequentemente. Mas o post de hoje tem como destaque cenas que a gente vê quando usa o serviço de transporte coletivo da cidade:
(Linhas de ônibus capixabas em dia de baixo movimento)

E a primeira é uma história bem alegre até. Num dos primeiros dias de pseudoaula da UFES, Zubat volta pra casa 12:30, cozinhando dentro de um ônibus. No terminal, pego o 651, que, nesse horário, é famoso por levar para casa as dignas moçoilas que estudam no pré-vestibular ao lado do terminal. Porém, era horário de pico, com isso, eu fui o último a entrar no ônibus, sendo literalmente espremido contra a porta num calor de 40°C.

Mas, nem tudo é ruim, afinal. Na minha frente, trajando comportadas roupas brancas, uma donzela se equilibrando com seus livros e fichários. Eis que, de repente, numa curva, ela se desequilibra e BOOBS! Tomei uma prensada na porta e, um ponto depois, a moçoila em questão sairia do ônibus rindo. Success?

A outra parte da história se passou hoje ainda, enquanto eu ainda ia pensando no que escrever nesse post. Milagrosamente, um lugar vagou no ônibus bem na minha frente e eu consegui ir sentado. Porém, como nem tudo são flores, obviamente tinha fofocaiada e música bostaneja no fundo do ônibus.

Sério, por que diabos as pessoas não compram um MALDITO FONE DE OUVIDO? Enfim, a parte boa da história vem agora. Tocado pelo espírito de Lemmy, um anônimo random sentado um pouco atrás de mim pediu "carinhosamente" para a senhorita com o celular gritante desligar. Nessa mesma hora, começou a tocar música gospel.

Também foi a vez de subir no ônibus um representante de um centro de rehab religioso, dizendo que "é sempre bom ouvir um louvor" e pedindo pra senhorita religar o bendito aparelho. A seguir, seguiu um diálogo mais ou menos parecido com isso:

- Não é todo mundo que gosta desse tipo de música! Isso incomoda os outros, desliga aí!
Rehab Guy: Ah, bota um funk pra ele então que ele vai curtir [imitando a "melodia"]
- Pior ainda se fosse funk! Música no ônibus incomoda! Estamos aqui um do lado do outro, eu posso te incomodar se quiser ouvir minhas músicas, pra isso que existem fones!

Nessa parte, a conversa parte para outro rumo, aparentemente sem conexão:

Rehab Guy: Isso aí é música que liberta, você devia ouvir mais, tá faltando Jesus na sua vida!
- Não tenho nada contra ser de Jesus! O problema é incomodar os outros!

A partir daí a discussão ficou ininteligível, mas uma coisa é certa, o Anônimo Random tem o Selo:

Crentes podem até ter tentado, mas hoje, sem dúvida, quem levou a melhor foi o Espírito de Lemmy que reside em cada um de nós. Long Live!